Adeus 2025
- Mar
- 21 de jan.
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Querido 2025,
Parece que vivi três mil anos em apenas um. Um dos anos mais intensos da minha vida. Nesse ano foi como se eu tivesse trocado de pele e tivesse sido obrigada a repensar todas as bagagens que eu levo comigo. Foi um ano de começos e finalizações, mas não é assim sempre? De certa forma sim, mas esse ano foi uma loucura total, se eu tivesse que resumir em apenas uma palavra todos os ensinamentos que aprendi foi: realidade.
Parece que deixo em 2025 um pedaço de mim que já não tinha mais espaço, parece que deixo também aquilo que me sustentava como pessoa, que nem tenho capacidade para definir, mas que deixou meus pensamentos desalinhados. Entrei em uma grande contradição e contraditoriamente também embarquei na própria antítese da contradição que me meti e iniciei o capítulo da Integração, que diferentemente de anos, não seguem o calendário.
2025, você foi o ano que eu percebi que o mundo em que eu nasci já não existe mais e que eu preciso aprender a reconhecer que mundo eu vivo hoje e também quem eu sou nesse mundo, então te agradeço por me mostrar parte desse luto.
Em 2025 todas as áreas da minha vida receberam um remelexo, mas ao mesmo tempo parece que não construí nada. O que é mentira. Esse ano, literalmente todas as áreas da minha vida tiveram avanços, avanços quantificáveis, mas em direções, nem de longe, perto daquilo que eu imaginava, no entanto ainda foram loucos.
Eu acho que eu nunca vou me adaptar à vida e deixar de me deslumbrar ou começar a achar tudo normal, talvez seja uma decisão política até, de não me adaptar mesmo. Na verdade, nesse ano eu me dissolvi, mas ainda consegui me destacar, não tem nenhuma peneira que me defina, não me sinto normal em nenhum dos ambientes e isso foi um sinal positivo em 2025, porque de fato aprendi que não devo me adaptar.
Aprendi muitas coisas em 2025 que jamais esquecerei e é péssimo que talvez eu ainda não tenha coragem de escrever todas elas aqui, mas ainda assim foram legais.
Ao mesmo tempo, me sinto no piloto automático, porque há tantas coisas para fazer, tanto para sentir, para aprender, que não me sobra energia mental para pensar.
Esse ano foi um dos únicos em que não senti um clima tão grande de final de ano, é como se ao mesmo tempo em que minhas emoções se estabilizassem eu perdesse um pouco da magia do que é essa passagem, o que me causa um estranhamento.
2025 foi o ano do estranhamento, do fechamento de ciclos, o ano do cansaço.
Por isso estou extremamente feliz que isso tenha finalmente acabado. Quanto tempo demora para tudo voltar ao normal? Na verdade não sei o que é o normal. Agradeço imensamente 2025.
Apesar de tudo parecer triste, em verdade não é. É aliviador, é um descanso para uma mente cansada.
Deixo em 2025 muitas coisas, principalmente aquelas que não me serviam mais, toda negatividade e pessimismo, a falta de confiança e o excesso de compreensão. Em 2025 voltei a gostar de mim, voltei a me levar a sério, a me divertir e a me permitir.
Agradeço a 2025, pela última vez, com saudades já, pelo ano que não mais voltará e por mim mesma que deixei para trás.
Adeus, 2025
Mary.







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