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Petit Polka

  • Foto do escritor: Mar
    Mar
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Fui num teatro, amostra de dança e o primeiro espetáculo se chamava Petit Polka. Foi a pior apresentação que eu já vi em toda a minha vida. Vamos falar um pouquinho sobre isso.


As dançarinas tinham entre 5 e 8 anos, eram todas dessincronizadas, era perceptível que tinha uma coreografia a ser seguida e também a tentativa em segui-la, mas a falta de habilidade em dançar era ainda mais notória, elas corriam sem ritmo e a melodia da música era uma mera sugestão ao que elas apresentaram. Péssimo.

Mas o mais engraçado nessa apresentação especificamente é que eu chorei. Chorei emocionada com a coisa mais esquisita que já vi. Chorei com as palmas que tiveram depois. Chorei com a pequena posição de agradecimento que as meninas tiveram no fim, quando elas se curvaram depois da apresentação e fingi que não passava de uma alergia que o meu nariz estava ruim.

Mas como eu poderia me sentir tão emocionada com uma apresentação que não tinha um pingo de técnica? Logo eu que acostumada a assistir Dance Moms e sabia como poderiam/deveriam estar?

A verdade é que chorei porque é lindo ver que o perfeccionismo é inútil.

A maioria das pessoas nunca serão dançarinas profissionais de balé, nunca pisarão num palco internacional e ganharão toneladas de ouro e mirra por dançar. Mas é justamente pela escassez dessa possibilidade que independente do teto que alguém pode chegar e o quão inalcançável isso pareça, que podemos e devemos continuar fazendo aquilo que mais nos aproxima de um desenvolvimento humano nas mais diversas expressões humanas.

Os seres humanos não precisam ser bons. E isso é uma forma até um pouco revolucionária de dizer que você pode fazer o que quiser e não precisa ser profissional em alguma coisa que você goste de fazer. A primeira coisa é: você pode ser bom, mas não precisa ser se você gosta daquilo.

Imagino que aquelas crianças vão crescer, melhorar, se desenvolver mesmo, mas o que mais me inspirou foi a forma como elas dançaram desajeitadamente. É importante destacar mais uma vez aqui que ainda que eu tenha dito que foi a apresentação mais esquisita que já vi, a pior de todos os tempos, sem ritmo e sem técnica, eu jamais disse que foi feia. Na verdade foi uma das apresentações mais bonitas porque me tocou em um ponto que fazia muito tempo que eu não era tocada: feito é melhor que perfeito.

 
 
 

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